Homenageados da Festa da Lavadeira

Dona Selma do Coco

2009

Dona Selma do Coco
Cantora e Compositora

"O coco vem da minha avó, do meu pai, e da minha mãe. Eu ia com eles para os cocos, e aquilo foi ficando comigo." Dona Selma

A pernambucana de Vitória de Santo Antão, Selma Ferreira da Silva (1935), cantora, compositora e puxadora de coco, passou sua infancia no interior, onde travou conhecimento com a música tradicional pernambucana, em especial o coco de roda, nas festas juninas que frequentava com seus pais. Vindo morar no Recife, casou-se, teve 14 filhos e ficou viúva aos 30 anos. Foi viver em Olinda onde para sustentar a família vendia tapiocas enquanto cantava o coco para atrair os turistas. Nos horários de folga começou a promover rodas de coco em seu quintal, que logo ganharam fama e a levaram a participar de espetáculos populares e casas de shows.

Em 1996 com a efervecencia do movimento Manguebeat participou do festival Abril Pro Rock e, aos 60 anos, numa guinada radical em sua carreira artística, D. Selma experimentou a fama. Gravou seu primeiro CD, Minha História, em 1998, com músicas compostas em parceria com Zezinho. No ano seguinte o disco foi reconhecido com o Prêmio Sharp de Música. Depois disso D. Selma participou do Festival Lincoln Center, em Nova York, e do Festival de Jazz de Nova Orleans, além de fazer shows na França, Bélgica, Espanha, Suíça, Portugal e Alemanha. A convite do Instituto Cultural de Berlim, gravou o disco Heróis da Noite, ao lado de cantores africanos. Também na Alemanha, gravou seu disco “Cultura Viva”.

Em 2007, aos 50 anos de carreira, recebeu das mãos do presidente Lula o título de Comendadora da Ordem do Mérito Cultural e, em 2008, registro de Patrimônio Vivo de Pernambuco, tendo assim a responsabilidade de preservar, divulgar e perpetuar suas técnicas e conhecimentos artísticos.

 

Tata Raminho de Oxossi

2010

Tata Raminho de Oxossi
Babalorixá

Tata Raminho de Oxossi, babalorixá do terreiro de Oxum Opará, é uma figura presente das manifestações afro-religiosas e grupos populares do Recife e Olinda.

Na década de 80, período de intensa movimentação política, social e cultural do movimento negro em Pernambuco, Raminho de Oxossi funda o primeiro Afoxé pernambucano, o Ará Odé (Afoxé Povo de Odé), que desenvolve oficinas de tradição oral, dança, música e tradições afro-descendentes em Olinda. Desde então o afoxé torna-se um ritmo afro sempre presente na cultura local, mantendo, através da música, o debate sobre consciência negra e liberdade.

Na tradicional Noite dos Tambores Silenciosos, que marca as segundas-feiras de carnaval do Recife, Tata Raminho de Oxossi é o babalorixá responsável pela condução da cerimônia na qual, à meia-noite, apagam-se as luzes do local, silenciam-se os tambores e começa o ritual que celebra o encontro de nações de origem africana no Recife. A Noite dos Tambores Silenciosos é uma reverência aos ancestrais afro-brasileiros que lutaram pela liberdade e justiça social e racial. Sob a orientação do Babalorixá (pai de santo) Tata Raminho de Oxossi, que entoa cantos e rezas, os Eguns (espíritos ancestrais) são celebrados com orgulho pelas nações Gege, Kêtu, Nagô e Angola.

 

Mestre Salustiano

2011

Mestre Salustiano
Músico e Artesão

“Eles são as sementes e eu sou a raiz” Mestre Salustiano

Manoel Salustiano Soares (1945 - 2008), o Mestre Salustiano ou simplesmente Mestre Salu, ex-cortador de cana, nascido em Aliança, Zona da Mata de Pernambuco, viveu entre brincantes desde a infância, quando aprendeu a fazer e a usar a rabeca incentivado por seu pai, o grande rabequeiro João Salustiano.

Considerado um dos melhores rabequeiros do país e precursor ou "patrono espiritual" do movimento Manguebeat, Mestre Salustiano inspirou artistas como Antonio Nóbrega, Chico Science e Nação Zumbi, Grupo Mestre Ambrósio, entre outros. Foi um dos maiores mestres da cultura popular do país e um dos grandes responsáveis pela preservação da ciranda, pastoril, coco, maracatu, caboclinho, mamulengo, forró, improviso de viola e de outros folguedos populares do folclore nordestino.

Mestre Salu foi um dos maiores dançadores de cavalo-marinho da região, interpretando diversos personagens como arrelequim, dama, galante, contador de toada e Mateus. Era também artesão e além das rabecas confeccionava os bichos do bumba-meu-boi, cavalo, boi, burra, as máscaras do cavalo-marinho e os mamulengos de mulungu.

Gravou quatro CDs: Sonho da Rabeca, As três gerações, Cavalo-marinho, Mestre Salu e a sua rabeca encantada. Foi um dos fundadores do Cavalo-Marinho Boi Matuto (1968) e do Maracatu Piaba de Ouro (1997) e do Mamulengo Alegre. Em 2002, realizando um sonho antigo, foi fundada a Casa da Rabeca do Brasil, em Olinda, um espaço dedicado à preservação da cultura e tradição de Pernambuco com apresentações de danças, oficinas, encontros de maracatus rurais e cavalo-marinho, além de shows de música regional com eventos durante o ano inteiro.

Fez da cultura popular sua vida e foi reconhecido com os títulos de Doutor Honoris Causa pela UFPe; Reconhecido Saber concedido pelo Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco; comendador da Ordem do Mérito Cultural, recebido das mãos do Presidente Fernando Henrique Cardoso; ePatrimônio Vivo de Pernambuco. Percorreu com a sua arte a maioria dos estados brasileiros e países como a Bolívia, Cuba, França e Estados Unidos.

 

Dona Elda Viana

2012

Dona Elda Viana (Mãe Elda)
Rainha do Maracatu Porto Rico

“Maracatu é candomblé, é pra gente se desmanchar na avenida…” Mãe Elda

Elda Ivo Viana, mulher guerreira, mãe amiga, nasceu no bairro da Mangabeira Casa Amarela, vindo de família religiosa da igreja Assembléia de Deus. Aos 17 anos, no Rio de Janeiro, já casada, conheceu a religiosidade afro descendente, primeiro a umbanda, depois o candomblé, com um grande conhecimento em várias nações porque passou pela Nagô, Angola e por último Gegê, onde se encontra até hoje, há mais de 40 anos.

Mãe de quatro filhos, biologicamente falando, porque dentro da nação criou dezenas. Funcionária pública aposentada, professora e responsável pela alfabetização de muitas crianças do bairro. Trabalhou muito para chegar aonde chegou e hoje dedica toda sua vida ao social tentando mostrar que através da arte e cultura podemos ter um mundo melhor.
Texto extraído do site nacaoportorico.maracatu.org.br