Samba de Véio da Ilha do Massangano

O Samba de Véio é uma das manifestações culturais mais antigas da Ilha do Massangano, que fica a 15 km (quinze quilômetros) do município de Petrolina/PE.

Não se sabe ao certo a origem do Samba de Véio, que provavelmente já existia há mais de 100 (cem) anos, como contam os moradores mais antigos, Sr. Berto, D. Chica, D. Cristina, D. Dasdores e Sr. José, conhecido como Zé de Helena, que após a colheita acompanhava seu pai nas rodas em que ia dançar e beber pinga (cachaça).

O resgate do Samba de Véio aconteceu em 1997 quando a senhora Raimunda Sol Posto, com coragem e dedicação, atendeu o pedido dos dançarinos e de D. Josefa Isabel dos Santos, uma das moradoras mais velhas, falecida em junho de 2000.

Esta manifestação folclórica denominada Samba de Véio pelos ilhéus, consiste num frenético sapatear. É formada uma roda e quem vai para o meio improvisa um sapateado diferente, o que contagia a todos que estão em volta. O puxador de sambas fica junto aos instrumentos que são geralmente, um violão, um pandeiro, um caraxá, um triângulo, dois tambores e dois pequenos tambores. O ritmo é acompanhado por todos através de palmas. Mãos pressurosas empurram uma pessoa para o centro da roda.

As letras versam sobre o dia a dia dos moradores da ilha. Embora as estrofes das canções não variem, há a permissão para o improviso. Seguindo a sugestão dos versos, a pessoa que se encontra no centro da roda, escolhe outra e aplica-lhe a umbigada e o canto prossegue. Quando todos os participantes do grupo tiverem passado pelo meio da roda, nova canção é entoada. Para recuperar o fôlego é passada de mão em mão uma garrafa de cachaça, que vira a atração quando equilibrada na cabeça por um dos sambistas, no meio da roda e em meio ao frenético ritmo.

Em janeiro de 2001 a TV Universitária de Pernambuco acompanhou o grupo do CEFETE/PE de professores e alunos, na companhia de Fernando Mendonça, idealizador do Projeto Massangano, com a finalidade de registrar o evento e coletar informações, que foram transformadas em tema do programa Documento Nordeste, exibido pela TV Cultura em rede nacional em junho de 2001.