Maracatu Leão Coroado

A Força do Trabalho em Desfile

É a tradição que desfila com o Leão Coroado. O batuque tradicional dos tambores centenários do mítico Luiz de França continua até hoje levando adiante o espírito dos maracatus de antigamente. Fundado em 1863, o Maracatu Leão Coroado é um dos maracatus da cidade, que pode se orgulhar de ser herdeiro da autêntica tradição atrelada aos cultos nagôs.

A magia das tradições em desfile
No ano de 1966, a antropóloga americana Katarina Real constatou, em seu livro “O folclore no Carnaval do Recife”. que o Maracatu Leão Coroado era o único que continuava a desfilar de maneira autêntica. E esta tradição é mantida de 8 de dezembro de 1863 (data oficial de fundação) até hoje, sendo um ponto de orgulho para seus integrantes e passada para cada nova pessoa que entra para o Maracatu.

A agremiação já recebeu mais de quarenta prêmios e só deixou de desfilar duas vezes, em 1918 e 1996, desde que foi fundado. Já foi tema de um livro de fotografias produzido por Humberto Araújo, de um documentário feito pela FUNARTE, e fez parte do primeiro CD Coletânea de Maracatu, o Maracatu Atômico, além de ter participado da terceira etapa da primeira edição do Maracatu Atômico, em 1998, quando vários grupos desfilaram em homenagem àquele que foi o grande mentor da Nação, Luiz de França.

Um mito da nossa cultura
Luiz de França foi um dos mais notáveis babalorixás de Pernamubuco, tendo estado à frente do Leão Coroado por mais de 50 anos (de 1942 a 1996). Luiz recebeu o maracatu das mãos de seu pai, Loreano dos Santos, que junto com Mané Beiçola, Manoel dos Santos, Zé Ricardo e Mané Caboclo fundaram o Leão Coroado. Luiz, extremamente rigoroso, empenhava-se por não desvirtuar sua Nação, nunca se distanciando das tradições religiosas que caracterizam o maracatu. E estas tradições têm sido mantidas até hoje pelo atual presidente da Nação, Afonso Aguiar, que recebeu o comando diretamente das mãos do Mestre Luiz, falecido em 03 de maio de 1997.

Durante sua existência, o Leão Coroado acumulou muitas glórias. “O armário está cheio de ferro-velho, costumava dizer Luiz de França se referindo aos troféus que conquistara com o maracatu. Uma das maiores frustrações do mestre foi o fato de nunca Ter conseguido construir uma sede para o grupo, cujos instrumentos e figurinos ficavam guardados em sua própria casa. Hoje, o Leão Coroado encontra-se na casa de Afonso Aguiar, Águas Compridas.

Os tambores do mestre
Todos os tambores do Maracatu eram confeccionados por Luiz de França em pessoa e até hoje são usados com muito orgulho e respeito pelos integrantes do Maracatu. Eles receberam a benção necessária que lhes garante proteção e também são usadas para fazer as obrigações religiosas. Também são usados nos desfiles os centenários tambores de barrica, anteriores aos de macaíba. Esses tambores eram feitos das barricas de bacalhau salgado que vinham de Portugal e que na época eram comida de gente pobre.

Um dos outros orgulho do Leão Coroado é manter o modo tradicional como se toca o tambor, com o chamado “baque de raiz”, com a segunda baqueta dois batuqueiros sendo usada o tempo inteiro na música, e não só para dar a virada da toada. “Nossa revolução é ir até as raízes”, explica o presidente Afonso Aguiar.

Tecnologia e mídia
Ao mesmo tempo que o Maracatu Leão Coroado luta pela manutenção das tradições, também abre espaço para as novas tecnologias, sendo o primeiro maracatu a disponibilizar uma página na internet (http://www.leaocoroado.org.br) .

Sua atuação na cena pernambucana vem crescendo consideravelmente, sendo notícia frequente na imprensa local, e participando com grande destaque dos principais eventos da cultura pernambucana, tais como o dia da lavadeira, realizado anualmente todo dia 1º de maio, na praia do Paiva, município de Cabo –PE, e o Festival de Inverno de Garanhuns.

Turnês
O Maracatu Leão Coroado finalizou o ano de 2001 com uma turnê nacional, passando pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, conquistando a simpatia e admiração do público. Agora, o maracatu se prepara para sua primeira turnê internacional, na qual deverá passar por cerca de sete países, aonde divulgará a cultura pernambucana através de exposições, shows e oficinas.