Gaspar Andrade

Versos, Vialejos e Quebranguladas

O alagoano Gaspar Andrade, natural da cidade de Quebrangulo/AL – terra de Graciliano Ramos – dedicou grande parte da sua vida ao estudo do Direito, como membro do Ministério Público do Trabalho, jurista, escritor, doutor em direito e professor da Faculdade de Direito do Recife.

Desde criança toca realejo e compõe, a partir do exuberante universo cultural nordestino. Começou sua vida artística integrando o elenco do teatro da Universidade Católica de Pernambuco. Naquela oportunidade, fez parte da organização de vários shows – João do Vale e Grupo Opinião, Sérgio Ricardo, apresentação de poetas cantadores e emboladores – inclusive do Primeiro Parto de Música do Nordeste, que reuniu as diversas correntes da música pernambucana – Cães Mortos, Tamarineira Vilage, Flaviola, Ave Sangria, Paulo Bruscky, Luiz Gonzaga e Carmélia Alves, dentre outros.

Através de seu filho Tiago de Melo, um artista respeitado na cena musical pernambucana, passou a manter contatos com outros músicos e com o movimento local denominado Mangue Beat. Dentro desse ambiente, apareceram oportunidades para mostrar seu trabalho. Alguns artistas de Pernambuco, ao ouvirem suas músicas, passaram a divulgá-la e a convidá-lo para participar de gravações. No final de 2002, viu sua primeira música, em realejo, gravada no disco Micróbio do Frevo, de Silvério Pessoa e selecionada para o longa-metragem São Francisco, Um Rio Cheio de Histórias, produzido por Carla Camuratti.

Os amigos o incentivaram a gravar um disco inteiramente seu, reunindo sua obra musical, e entre 2003 e 2004 as suas músicas foram entoadas através do realejo.

O disco reúne famosos artistas da cena pernambucana. Músicos das bandas: Mundo Livre S/A, Nação Zumbi, A Roda, Bonsucesso Samba Clube, Variant, Songo, além de Silvério Pessoa, Izaar (DJ Dolores e Aparelhagem), Karina Buhr (Comadre Fulozinha) e Siba Veloso (Siba e a Fuloresta).

O repertório do “Versos, Vialejos e Quebranguladas” é pontuado exclusivamente no realejo, já que existe uma lacuna na história da música popular brasileira de obras executadas por intermédio de um instrumento tão popular, tal como era a rabeca em relação ao violino, hoje difundida no mundo inteiro.

O CD não pretende vincular-se especificamente a nenhuma das propostas ocorrentes da música nordestina. Apesar de estar centrado na linguagem típica da região, apresenta uma estética de caráter universal. Por isso é possível vislumbrar o diálogo entre instrumentos primitivos, acústicos e eletrônicos. Daí o reconhecimento de grandes instrumentistas como Rildo da Hora e Jeová da Gaita.