Chegança dos Marujos Fragata Brasileira

Saubara/BA

A Chegança dos Marujos Fragata Brasileira permaneceu inativa durante mais de 20 anos, até que um grupo de Saubarenses (a maioria pescadores) resolveu reanimar a "brincadeira" em 1978. Puxaram pela memória de antigos marujos as músicas, as cantigas, as falas, as rezingas e deram partida a um novo ciclo na vida dessa manifestação folclórica.

Nos seus "passeios" lentos e nas suas "marchas", a Chegança canta as durezas e os perigos humanos e naturais da vida nas velhas embarcações dos tempos do Brasil Colônia e louva os Santos que salvam os marujos para que possam chegar em terra firme; através de rezingas, que são verdadeiras óperas populares curtas, elucidam dramaticamente com diálogos cantados em coros, as causas e as conseqüências desses apuros que a fragata entra. É verdadeira e emocionante a história desse grupo que, com muito esforço, no ano de 1984 construiu sua sede, situada na Rua Boca da Mata, s/n no Centro da Cidade. Desde então, todos os anos a marujada se apresenta na Festa de São Domingos de Gusmão, Padroeiro da Cidade de Saubara, existente desde a construção de Igreja numa colina, em torno de 1685.

Os personagens da marujada são: General, Contramestre, Piloto, Capitão-patrão, Guarda-marinha, Padre-capelão, Calafatinho, Guias, Porta-bandeira e os Marujos. Usando o pandeiro como instrumento musical. Sinteticamente o espetáculo pode ser assim resumido: antes de sair para uma longa viagem marítima, os marujos despedem-se dos amores que ficam em terra; a fragata levanta ferros e sai para a viagem mar a fora; a marujada enfrenta várias tribulações, como o mar revolto, as tempestades e os conflitos internos 9as rezingas). Finalmente, a nau sai a salvo de todos os problemas e continua navegando mar adentro.

A Chegança de Marujos "Fragata Brasileira" é assim um ato tanto religioso quanto cívico. São seguramente poucas as terras que dispõem de formas tão singelas de comemoração da sua existência.