Samba de Coco raízes de Arcoverde

Longe, muito longe do litoral, onde primeiramente floresceu nas mãos de escravos, o coco-de-roda chegou ao Sertão de Pernambuco. Amaciado pela viagem, o ritmo incorporou elementos indígenas e indícios de tradições sertanejas, mas conseguiu manter o toque sincopado e a dança envolvente que caracterizam a versão litorânea.

Em Arcoverde, o grupo Coco Raízes tornou-se o grande expoente dessa nova roupagem do ritmo, que se expressa por letras singelas, batida marcante e melodias de timbre sibilante. Iniciada por Lula Calixto, ferrenho defensor da cultura popular sertaneja, a saga do Coco Raízes representa o apego do povo às tradições e o esforço desmedido para preservá-las. Mas é também a história de afeto entre duas famílias que se uniram em torno do ritmo. Nas mãos dos Gomes e Calixtos, o coco não é apenas uma batida de pandeiro ou uma dança, é uma aliança, um modo de vida. Primos, tios, pais e filhos, todos são irmãos na hora de sambar.

Bem-aventurados os convidados à grande celebração do coco. No Alto do Cruzeiro, onde se situa a sede do grupo, é sempre tempo de comemorar. Basta chegar um visitante para que a recepção seja calorosamente armada. Tudo começa com um tímido repicar de trupé, que contagia o bombo hipnótico de Biu Neguinho e culmina com a abertura da pista para as vistosas bailarinas e afinadas cantoras. A cada dia, o Coco Raízes seduz mais fãs. São pessoas sedentas de louvação pela cultura popular, que se encantam com a simplicidade e autenticidade do grupo.

Desde a gravação de uma faixa na coletânea do Pernambuco em Concerto, o Coco deslanchou e passou a realizar várias apresentações em Recife, todas prestigiadas por um grande público que se formou na capital. Os dois CDs gravados até hoje testemunham do incansável fôlego da caravana, que não parou nem vai parar.