Dona Célia Coquista

Uma das cantoras e compositoras da cultura popular mais criativas e afinadas da tradição do coco praieiro de Olinda.

Nascida no alto da Sé, em Olinda-PE em 1936, onde hoje fica o Palácio de Iemanjá, Célia Maria de Oliveira, a “Dona Célia” começou a cantar desde cedo. De família tradicional coquista, Dona Célia e sua irmã Cila sempre acompanhavam o pai nas “sambadas”, como eram conhecidas as brincadeiras populares.

Após o casamento, a coquista só atuava no ciclo junino, nos quintais de amigos e em sua própria casa. Após o falecimento do marido e os filhos criados, Dona Célia resolveu dedicar mais tempo ao coco. Se apresentou com vários grupos de coco e participou de vários eventos no Recife, Cabo de Santo Agostinho e, em janeiro de 2002, fez sua primeira temporada no Rio de janeiro, mais precisamente na Lapa, reduto da boemia carioca. Dona Célia e Lia de Itamaracá inauguraram a casa noturna Rio Scenarium, Espaço Cultural Ariano Suassuna – na Rua do Lavradio, o Centro Cultural Carioca – na Praça Tiradentes e a Sala Funarte.

Em janeiro de 2003 e 2004 Dona Célia foi convidada pela Instituição Alemã CÁRITAS para desenvolver um trabalho com o coco junto ao “Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua”. A parceria deu origem ao CD “Movimento dos Ritmos” e sua primeira turnê internacional, onde foi ovacionada em todos os palcos onde se apresentou e recebeu convite para retornar em 2004, já participando com uma rede de entidades apoiadas pela instituição Cáritas. Dona Célia voltou à Europa e apresentou o CD “Brincando com Arte”.

Como todos os mestres de cultura de Pernambuco Dona Célia coquista lutava para perpetuar sua arte e continuar seu trabalho e com iniciativa própria, aos 72 anos, realizou um sonho antigo ao gravar seu primeiro e único CD intitulado “Nasci Com Dois Dentes”, um verdadeiro patrimônio à cultura popular.